Pacto pela Aceleração Territorial

• AGROBIOTEC aproxima ciência e empreendedorismo em missão técnica a Florianópolis

Iniciativa do Pacto pela Aceleração Territorial reuniu pesquisadores, startups e representantes de instituições da Serra Catarinense para conhecer experiências, ampliar conexões e identificar oportunidades de inovação em biotecnologia.

Representantes de instituições de pesquisa, startups e ambientes de inovação da Serra Catarinense participaram, no dia 26 de outubro, de uma missão técnica a Florianópolis voltada à agrobiotecnologia. A iniciativa integra as ações do AGROBIOTEC, projeto do Pacto pela Aceleração Territorial, que busca fortalecer a conexão entre ciência, tecnologia e empreendedorismo, contribuindo para transformar Lages e a região em um polo de inovação agro e biotecnológico.

Organizada pelo Orion Parque Tecnológico, por meio do Centro de Inovação de Lages e do Polo ACATE Serra Catarinense, a missão reuniu representantes do Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc/CAV), da Estação Experimental de Lages da Epagri e de startups vinculadas ao ecossistema regional de inovação.

A programação incluiu visitas à sede da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), ao Centro de Inovação Primavera, ao Sapiens Parque e ao Centro de Inovação, Pesquisa, Empreendedorismo e Tecnologia da Universidade Federal de Santa Catarina (InPETU Hub). Os participantes também conheceram as estruturas da JBS Biotech Innovation Center e da Nanovetores Tecnologia, empresas que desenvolvem soluções em biotecnologia e representam diferentes experiências de aproximação entre pesquisa científica e mercado.

Conexões para fortalecer a agrobiotecnologia na Serra Catarinense

O AGROBIOTEC está conectado à missão estratégica do Pacto de transformar a Serra Catarinense em um polo de inovação agro e biotecnológico, aproveitando as competências científicas, produtivas e empreendedoras já presentes no território.

A proposta busca aproximar instituições de pesquisa, universidades, empresas e startups, criando condições para que o conhecimento científico possa se transformar em soluções tecnológicas, novos negócios e oportunidades de desenvolvimento econômico regional.

Segundo o diretor executivo do Instituto Orion, Claiton Camargo de Souza, uma das lideranças do AGROBIOTEC, a missão foi planejada como uma ação direta do projeto, permitindo que os participantes conhecessem experiências de empresas e ambientes de inovação já consolidados.

O objetivo, explica Claiton, foi proporcionar aos representantes da Serra Catarinense uma visão mais ampla sobre as possibilidades da biotecnologia, especialmente a partir das experiências da JBS, que instalou uma estrutura de pesquisa na região do Sapiens Parque, e da Nanovetores, empresa catarinense que se tornou referência em nanobiotecnologia.

Para ele, a aproximação com o ecossistema de Florianópolis permite aos participantes do AGROBIOTEC “expandir a visão e as possibilidades”, além de ampliar o relacionamento com instituições e parceiros estratégicos, como a ACATE, o Sapiens Parque e a Rede Catarinense de Inovação.

A importância dessa articulação também foi destacada pela diretora do Polo ACATE Serra Catarinense, Aryana Valcanaia, que ressaltou o potencial das conexões estabelecidas durante a missão. “Como Polo ACATE, enxergamos muito potencial nessas aproximações para fortalecer o ecossistema de inovação da Serra Catarinense e transformar essas relações em projetos, parcerias e novos negócios”, afirmou.

Pesquisa científica e oportunidades de desenvolvimento tecnológico

A participação da Epagri e da Udesc/CAV reforçou a importância de conectar a pesquisa científica desenvolvida na Serra Catarinense às estruturas de inovação e aos mecanismos de apoio disponíveis em Santa Catarina.

Para o pesquisador Tássio Dresch Rech, gestor e supervisor de unidade de pesquisa na Estação Experimental de Lages da Epagri, a missão representou uma oportunidade de conhecer novas possibilidades para o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos.

O pesquisador destacou a infraestrutura apresentada, a receptividade das instituições visitadas e a qualidade das informações compartilhadas, especialmente sobre alternativas de suporte e financiamento à inovação, envolvendo recursos estaduais e federais.

Na avaliação de Tássio, os ambientes visitados demonstram a importância de uma estrutura organizada de apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias. “Uma estrutura muito, muito bem elaborada, muito bem pensada pra que projetos realmente inovadores, realmente potenciais possam brotar e chegar a bons resultados”, afirmou.

A experiência também despertou o interesse de outros pesquisadores da Epagri. Segundo Tássio, após compartilhar os resultados da missão com seus colegas, diversos profissionais manifestaram interesse em participar de novas visitas técnicas.

Para o professor Rodrigo Terezo, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do CAV/Udesc, iniciativas como essa também contribuem para dar visibilidade às empresas inovadoras da região e demonstram a força da atuação conjunta entre diferentes instituições.

“As missões de visitas técnicas, como esta, proporcionam uma excelente visibilidade das empresas incubadas no ÓRION junto ao ecossistema estadual. Uma comitiva formada por diferentes entidades como CAV/UDESC, EPAGRI e ORION, quando alinhadas em ações convergentes, com respeito mútuo, conseguem impactar positivamente o setor de inovação para além de suas microrregiões”, destacou Rodrigo.

A perspectiva reforça um dos fundamentos do AGROBIOTEC: a integração entre instituições de ensino, pesquisa e ambientes de inovação como estratégia para ampliar o alcance das iniciativas e fortalecer o desenvolvimento tecnológico regional.

Da pesquisa ao mercado: oportunidades para startups

Para as startups da Serra Catarinense, a missão também representou uma oportunidade de conhecer modelos de negócio, trocar experiências e identificar possibilidades de colaboração com empresas que já atuam no mercado de biotecnologia.

A sócia-fundadora da Ycorps, Claudia Pies Biffi, destacou a importância da aproximação com as empresas instaladas no Sapiens Parque. A Ycorps é uma startup de biotecnologia incubada no Centro de Inovação de Lages, com atuação voltada ao desenvolvimento de soluções para o agronegócio.

Segundo Claudia, a visita permitiu ampliar o conhecimento sobre diferentes experiências empresariais e identificar possibilidades de parcerias capazes de contribuir para o desenvolvimento dos negócios da região.

“Essas iniciativas são fundamentais pra impulsionar os nossos negócios, pra fortalecer o ecossistema”, destacou a empreendedora.

Claudia também ressaltou que a aproximação entre pesquisadores e empreendedores é fundamental para transformar conhecimento em soluções aplicáveis aos desafios do setor produtivo. Para ela, iniciativas como a missão técnica contribuem para conectar a ciência ao empreendedorismo e ampliar as possibilidades de levar novas tecnologias ao mercado.

AGROBIOTEC e o futuro da inovação regional

A missão técnica representa mais um movimento de articulação entre os atores envolvidos no AGROBIOTEC, reforçando a importância de conectar competências e experiências para ampliar as oportunidades de desenvolvimento da Serra Catarinense.

A região reúne instituições de ensino e pesquisa, estruturas voltadas à inovação e empreendedores que atuam no desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao agronegócio. A aproximação entre esses atores e outros ecossistemas catarinenses pode contribuir para fortalecer projetos conjuntos, ampliar o acesso a conhecimentos especializados e identificar novas possibilidades de negócios.

Integrado ao Pacto pela Aceleração Territorial, o AGROBIOTEC faz parte de uma agenda de desenvolvimento de longo prazo que busca fortalecer a economia regional por meio da inovação, da agregação de valor à produção local e da valorização das potencialidades do território.

A iniciativa reforça um dos princípios do Pacto: a construção coletiva de soluções, com a participação de instituições de ensino e pesquisa, iniciativa privada, poder público e sociedade civil, para transformar o potencial da Serra Catarinense em oportunidades concretas de desenvolvimento.

Texto e Fotos: Rafael Bueno Peletti

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