Missão internacional traz referências para projetos do Pacto pela Aceleração Territorial e reforça integração, inovação e continuidade como caminhos para o desenvolvimento da região.
Os projetos que buscam transformar a Serra Catarinense nas próximas décadas ganharam novas referências internacionais. Representantes do Pacto pela Aceleração Territorial retornaram de uma missão a Medellín, na Colômbia, com experiências que dialogam com desafios já enfrentados na região: integrar diferentes setores, fazer o desenvolvimento chegar às pessoas, gerar oportunidades e garantir continuidade aos projetos estratégicos.
Realizada no mês de agosto, com apoio do Sebrae/SC, a missão ocorreu em um momento em que o Pacto avança da articulação para a execução e busca transformar a visão de futuro para 2040 em resultados concretos. O movimento reúne mais de 120 entidades e cerca de 1,2 mil pessoas, conectando poder público, iniciativa privada, academia e sociedade civil.
Um dos pontos que aproxima Medellín do trabalho que vem sendo feito na Serra Catarinense é a articulação entre diferentes setores. Na cidade colombiana, o CUEE – Comitê Universidade-Empresa-Estado, reúne uma vez por mês, poder público, iniciativa privada e universidades para discutir decisões estratégicas e políticas de desenvolvimento. A lógica é semelhante à do Pacto pela Aceleração Territorial, que também aposta na atuação conjunta para construir soluções e garantir continuidade aos projetos no longo prazo.
Entre os 14 projetos que já materializam essa construção estão o Meu Bairro, Meu Lar, com intervenções integradas voltadas às condições urbanas, sociais e ambientais das comunidades, em especial o bairro Passo Fundo; o Plano de Drenagem Urbana; o Produtores da Serra, dedicado ao fortalecimento das agroindústrias familiares e à abertura de novos mercados; além de iniciativas de empreendedorismo e inovação voltadas à geração de negócios, renda e oportunidades, como a Acaleradora e Jornada de empreendedorismo e inovação. Projetos como Lages Verde, Lages Viva e Parque Salto Caveiras e também encontram pontos de conexão com experiências observadas na Colômbia.
Para o coordenador do Pacto, Fabiano Ventura, uma das principais contribuições da missão foi observar como uma estratégia territorial consegue sair do planejamento e chegar à vida das pessoas. “Medellín mostra que uma transformação territorial não acontece a partir de uma única obra ou iniciativa. Ela depende de planejamento, continuidade e integração. Vimos soluções muito diferentes, mas todas conectadas a uma visão de cidade. É esse olhar que trazemos para o Pacto: compreender como nossos projetos podem conversar entre si e gerar resultados que efetivamente cheguem às pessoas”, afirma.
O Sebrae/SC integra o Pacto a partir de sua atuação no fortalecimento do empreendedorismo e do desenvolvimento territorial e, por isso, apoiou a missão e participou da agenda de visitas e trocas de experiências. “Para o Sebrae, apoiar esse movimento é contribuir para que a Serra Catarinense esteja cada vez mais preparada para gerar oportunidades, estimular novos negócios e transformar planejamento em resultados. Medellín mostrou a importância da articulação, da continuidade e de uma visão de longo prazo, e esse é um aprendizado que podemos trazer para fortalecer os projetos que já estão sendo construídos aqui”, afirma o gerente regional do Sebrae/SC na Serra Catarinense, Altenir Agostini.









Desenvolvimento que chega às pessoas
Um dos conceitos que mais chamou a atenção da comitiva foi o urbanismo social, baseado na decisão de direcionar serviços, infraestrutura e equipamentos de qualidade às regiões mais vulneráveis, considerando as necessidades de quem vive nesses territórios.
Em determinado período da história de Medellín, havia moradores de bairros periféricos cujo sonho era simplesmente conhecer o centro da cidade. As dificuldades de deslocamento, inclusive para chegar ao trabalho, estiveram entre as questões enfrentadas com a implantação do Metrocable como transporte público. Enquanto teleféricos são utilizados em muitos destinos como equipamentos turísticos, em Medellín eles passaram a conectar comunidades dos morros ao restante da cidade.
A mesma lógica levou parques-biblioteca, aulas de robótica e informática, espaços maker e estruturas de inovação para áreas vulneráveis, ampliando o acesso à educação, à cultura e a novas perspectivas, especialmente para crianças e jovens.
Nos anos 1990, Medellín chegou a figurar entre as cidades mais violentas do mundo. Em 2006, a taxa de homicídios havia recuado para 34 casos por 100 mil habitantes. A transformação envolveu diferentes políticas públicas e teve entre suas estratégias investimentos e equipamentos de qualidade nas regiões mais vulneráveis. Os parques-biblioteca, por exemplo, foram concebidos como espaços de desenvolvimento cultural, convivência e fortalecimento dos vínculos sociais.
A Ruta N, uma das principais referências do ecossistema de inovação da cidade, esteve diretamente ligada à execução do Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação de Medellín. Durante a agenda, Elkin Echeverri García, primeiro diretor do plano e ex-diretor de Planejamento e Prospectiva da instituição, destacou a importância da conexão entre pessoas, conhecimento e mercado. “Inovação acontece quando pessoas estão em contato”.
Para o Pacto, a principal conexão está na lógica de compreender as necessidades de cada território e, a partir delas, construir soluções integradas à realidade local. Outro ponto observado pela comitiva foi a capacidade de Medellín de aproximar conhecimento, inovação e desenvolvimento econômico.
Na Serra Catarinense, esse aprendizado vem ao encontro do desafio de aproximar ainda mais empresas, universidades, empreendedores e instituições, criando condições para que conhecimento e inovação se convertam em novas oportunidades econômicas a partir das potencialidades do próprio território.
A articulação entre diferentes setores também apareceu de forma recorrente ao longo da missão. Em Medellín, uma das expressões utilizadas para representar essa construção coletiva é “o poder dos muitos”, que expressa a força da atuação conjunta de diferentes setores em torno de uma visão comum para a cidade. Palavras como “nosso”, “nós” e “juntos” aparecem de forma recorrente na comunicação urbana, das lixeiras e pontos de wi-fi nas praças ao Metrocable e aos espaços culturais.
“Essa é uma lógica que também está presente na própria estrutura do Pacto pela Aceleração Territorial, construído pela participação voluntária de instituições e lideranças e pela integração de projetos que, embora atuem em diferentes áreas, compartilham uma visão de longo prazo para a região”, reforça Fabiano Ventura.
A missão incluiu ainda uma visita à Empresas Públicas de Medellín (EPM), companhia pública que atua em áreas como energia, gás, abastecimento de água e tratamento de águas residuais. Segundo informações apresentadas à comitiva, parte dos resultados da companhia retorna para o município e representa cerca de 25% das receitas da Prefeitura de Medellín.
Agora, o desafio passa a ser transformar as referências conhecidas durante a missão em conhecimento útil para a realidade da Serra Catarinense e para os projetos já em andamento no Pacto.
“Não voltamos de Medellín com a intenção de copiar modelos, mas com referências que agora precisam ser analisadas considerando a nossa realidade. O próximo passo é compartilhar esse conhecimento com os grupos que atuam nos projetos do Pacto, identificar o que pode ser incorporado e transformar esses aprendizados em ações concretas dentro dos projetos que temos em andamento”, afirma Fabiano Ventura.









Pacto pela Aceleração Territorial | Assessoria de Comunicação
Catarinas Comunicação
Texto: Lizzi Borges | Fotos: Arquivos pessoais


